Educação a distância vale a pena?

Reprodução da matéria publicada na Revista Nova Escola | Edição 227 | Novembro 2009

De 2000 para cá, a chamada EAD cresceu 45.000% em números de alunos no país. Muita gente, no entanto, ainda fica de pé atrás com quem tirou diploma de Pedagogia ou Licenciatura nessa modalidade de ensino. Para avaliar se isso é puro preconceito, veja o que é mito e verdade nessa área

Ana Rita Martins e Anderson Moço (novaescola@atleitor.com.br)

Ilustrações: Tetê Carneiro sobre foto Image Source/Latinstock

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Para quem mora longe de uma universidade ou não pode ir à aula todos os dias, a Educação a distância (EAD) parece ideal. Por isso, ela tem conquistado tanto espaço. Em 2000, 13 cursos superiores reuniam 1.758 alunos. Em 2008, havia 1.752 cursos de graduação e pós-graduação lato sensu com 786.718 matriculados, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). A modalidade de ensino usa ambientes virtuais, chats, fóruns e e-mails para unir professores e turmas. Assim, quem é de Ribeirão Cascalheiras, a 900 quilômetros de Cuiabá, por exemplo, pode se formar em Pedagogia pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que mantém um polo na cidade.

As experiências no ensino a distância por aqui começaram no início do século 20, com cursos profissionalizantes por carta, rádio e, mais tarde, pela TV. Só com a internet e a banda larga, eles se tornaram viáveis na graduação e na pós.

Apenas recentemente começamos a apostar na EAD como uma saída para suprir a demanda por formação superior no país. Criada em 2005, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem como prioridade a formação inicial de professores da Educação Básica pública, além de formação continuada aos graduados. Por meio de parcerias entre 38 universidades federais, a UAB oferece 92 opções de extensão, graduação e pós-graduação.

Poucos formados e falta de fiscalização preocupam

Estudo de 2007 capitaneado por Dilvo Ristoff, então diretor do Departamento de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), comparou os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/2006) nas modalidades presencial e a distância. Das 13 áreas em que o confronto foi possível, os de EAD se saíram melhor em sete: Pedagogia, Biologia, Física, Matemática e Ciências Sociais, além de Administração e Turismo. Isso mostra que o fato de as aulas serem a distancia não significa que elas sejam de pior qualidade.

No entanto, é forte a desconfiança no mercado de trabalho em relação aos egressos dessa modalidade. Isso, em parte, por haver poucos diplomados. Dados do Inep revelam que, enquanto a graduação presencial formou 736.829 profissionais em 2006, o ensino a distância contabilizou apenas 25.804. Esse contingente ainda é pequeno para que as redes avaliem a competência deles.

Além disso, especialistas apontam graves problemas na forma como a EAD tem sido conduzida no país. No estudo Professores do Brasil: Impasses e Desafios, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a coordenadora Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas (FCC), relata que o governo federal ainda não dispõe de aparato suficiente para acompanhar, supervisionar e fiscalizar os cursos, fato que comprometeria sua qualidade. Outro ponto frágil da política governamental, segundo o trabalho, seria a pouca verba destinada aos tutores (que acompanham a aprendizagem dos grupos), feito por meio de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o que tornaria a qualificação dos profissionais precária.

Para não entrar em uma arapuca, o importante é avaliar as opções antes de se decidir. O documento Referências de Qualidades para a Educação Superior a Distância, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), indica o que você tem direito de saber antes de se matricular: 
- Métodos de ensino da universidade 
- Tecnologias usadas 
- O tipo de material didático usado 
- Os tipos de interação disponíveis 
- Quanto tempo leva para o tutor responder às dúvidas.

Outra medida importante é verificar se a instituição está credenciada, se é reconhecida e se já foi fiscalizada. Para isso, basta pesquisar no site siead.mec.gov.br, que traz as instituições que oferecem graduação e pós lato sensu a distância.

Tão importante quanto essas medidas é analisar se o modelo preenche suas necessidades e se é adequado ao seu perfil (faça o teste para saber se você tem o perfil do aluno a distância). Muito se diz sobre a EAD, mas nem tudo pode ser levado a sério. Para ajudar você a conhecer melhor essa modalidade, selecionamos as 16 afirmações mais comuns sobre ela e, com base em estudos, estatísticas e opiniões de renomados especialistas, esclarecemos o que é mito e o que é verdade.

[VERDADE] O curso não é adequado para os mais jovens

De acordo com a Abed, 54% das instituições que oferecem cursos a distância declararam que a maioria dos matriculados tem mais de 30 anos. João Vianney Valle dos Santos, autor de diversos livros sobre o tema, afirma que em geral os mais jovens não atingiram o nível de maturidade, comprometimento e responsabilidade que o planejamento de estudos da modalidade requer. De fato, é necessária muita disciplina. Não se pode deixar o material de leitura acumular. Se isso ocorre, fatalmente não se consegue aprender o conteúdo, perceber onde se tem dificuldade para pedir ajuda ou mesmo acompanhar as discussões nos momentos em que toda a turma está reunida por meio de chats e videoconferências. Santos chama a atenção para mais um ponto: na juventude, o convívio social e cultural proporcionado pelo ambiente universitário é essencial. "A formação dos 17 aos 24 anos não está vinculada só ao aprendizado de conteúdos, mas a uma fase de maturação e socialização favorecida pelo contato direto com o outro."

[VERDADE] É preciso ter um bom computador e uma boa conexão de internet

Mais de 93% dos cursos de graduação e pós utilizam a internet como o principal meio de ensino. O uso de vídeos online está presente em mais de 57% das instituições, sendo que em 52% delas a transmissão comporta interatividade entre estudantes e mestres. Quem não tem computador com internet rápida pode sair prejudicado. Afinal, ninguém tem paciência de passar horas esperando um vídeo carregar. E não se pode perder a chance de conversar com o professor em vídeoconferência porque a máquina não dá suporte a essa ferramenta. "Os polos presenciais costumam disponibilizar computadores com conexão à internet. Quem não tem isso em casa e não mora tão próximo aos polos deve encontrar um meio de acesso à banda larga, nem que seja em um cibercafé", explica Ymiracy de Souza Polak, consultora da Capes para EAD e membro da comissão de avaliação do Inep/MEC.

[MITO] É ideal para quem tem pouco dinheiro

O fato de os cursos a distância serem normalmente mais baratos que os presenciais muitas vezes se torna um chamariz. Para não ser pego no susto, porém, o ideal é fazer um levantamento de todos os gastos relacionados antes de efetuar a matrícula. Segundo a Abed, a questão financeira é citada como um dos motivos de abandono por 48,5% dos graduados e 30,4% dos pós-graduandos a distância que evadiram. O valor da mensalidade não é o único dinheiro a ser investido. É preciso estar ciente dos custos com transporte e alimentação para participar das atividades presenciais obrigatórias na própria instituição ou no polo disponibilizado por ela. Outro ponto importante a considerar é a compra de material didático. Onilza Borges Martins, pós-doutora na área de Educação a distância e estudiosa do tema há 20 anos, diz que um bom curso não dispensa os materiais tradicionais de estudo. "Os que oferecem apenas uma apostila com trechos de obras, totalmente descontextualizados, empobrecem o acesso ao conhecimento. Desconfie se a instituição não coloca livros na lista de materiais."

Qualidade Pedagógica

[MITO] O diploma é fácil

Para começar, vale lembrar que o tempo de duração do curso é o mesmo que na modalidade presencial. Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de Educação a distância do MEC, diz que os diplomas de graduação e pós-graduação, sejam eles presenciais ou a distância, são equivalentes. "Por lei, exigimos o mesmo grau de rigorosidade em ambos." Por isso, quem acha que uma boa faculdade a distância é moleza pode acabar se frustrando com o grau de dificuldade que se apresenta e não seguir adiante. Segundo a Abed, 61,8% dos matriculados na graduação e 45% dos da pós-graduação que evadiram em 2008 alegaram como motivo não ter tido tempo para se dedicar suficientemente. O dado indica que não é nada simples dar conta do recado.

[MITO] As avaliações não são difíceis

O nível de exigência das provas, que são discursivas, é o mesmo das aplicadas nas faculdades presenciais. Muitas vezes, elas se tornam ainda mais difíceis pelo acúmulo de conteúdos cobrados. Isso porque, num curso de qualidade, o conhecimento sobre o material complementar disponível no ambiente virtual também é avaliado. Outro ponto: imagine num único dia ser testado em várias disciplinas com base no que foi visto no semestre todo? Isso ocorre porque o MEC determina que as provas devem ocorrer nos polos presenciais, sob o olhar dos tutores da turma - se fossem feitas em casa, as chances de fraude seriam enormes. Em graduação, há uma avaliação por disciplina, obrigatoriamente. Já nas especializações, são, no mínimo, duas provas escritas. Além disso, as boas instituições pedem, em média, dois trabalhos por semana - com hora limite para a postagem na rede. Por sua natureza, a EAD apresenta uma peculiaridade: o meio eletrônico garante o registro de cada passo do aluno, dando destaque à avaliação processual. É possível saber quantas vezes ele entrou no ambiente virtual, o tempo passado em fóruns e chats e qual a qualidade dessa participação. "Conseguimos verificar durante as aulas se ele está aprendendo ou não. Cabe ao tutor avaliar o comportamento de cada um no ambiente virtual", explica Waldomiro Loyolla, coordenador técnico da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

[MITO] A evasão é maior

Ao contrário. Na graduação e na pós a distância, 17% dos discentes desistem antes de se formar, enquanto nos presenciais essa taxa passa dos 21%, de acordo com o Censo de 2006 do Inep. "A evasão ocorre quando não há dedicação. Se as tarefas não são feitas em uma semana, na próxima é necessário correr muito para acompanhar. Quem não consegue colocar os estudos em dia desiste, pois percebe que não tem mais como chegar lá", explica Roberto De Fino Bentes, docente dos cursos a distância da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e consultor na área. Uma curiosidade: diferentemente do que muitas pessoas pensam, a distância da casa dos alunos em relação à sede da universidade não é um fator determinante para a evasão. Instituições com mais da metade deles vivendo fora do estado sede têm índices de evasão abaixo da média no país.

Rotina do aluno

[MITO] É possível estudar quando quiser

Essa é uma das frases que mais têm sido usadas por instituições de má qualidade para atrair a clientela. Num bom programa a distância, definitivamente não se estuda apenas quando se quer. Para acompanhar as discussões sobre os conteúdos, é necessário traçar uma rotina que inclua, todos os dias, leituras obrigatórias e complementares. Além disso, é necessário participar das discussões online, com os colegas, em horários fixos ou previamente marcados pelos tutores. É bom frisar que essa participação também é levada em consideração na avaliação processual. Maria Lucia Cavalli Neder, reitora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) - a primeira a instituir a Pedagogia a distância no país -, afirma: "Na boa graduação e pós a distância, há o acompanhamento individual pelo tutor. Ele sempre pede um feedback das atividades feitas e quem não estuda ou só estuda quando quer não consegue disfarçar: simplesmente não consegue acompanhar a turma".

[MITO] O aluno fica isolado e não interage com os colegas

Há várias razões para afirmar que a história não é bem assim. A primeira é a exigência do MEC de que sejam organizados momentos de convivência e interação entre os colegas nos polos presenciais - o que ocorre nas atividades complementares, obrigatórias por lei, como sessões de filmes, debates e encontros, e nas provas finais. As atividades em que todos devem estar online juntos, como chats e videoconferências, é outra estratégia que garante a interatividade entre a turma. Em quase 95% dos cursos credenciados, é possível debater conteúdos e trocar ideias com os colegas. "Os trabalhos semanais também costumam ser realizados em grupo e deve-se usar a rede para combinar o desenvolvimento deles e as datas de reunião", ressalta Bentes. Outro fator que contribui para a interação é que a organização é feita em turmas em quase metade das instituições. Dessa forma, durante anos, os mesmos alunos seguem juntos, o que os aproxima - como em qualquer faculdade. Por fim, as boas instituições incentivam a organização de grupos de estudo sobre temas específicos. Assim, os alunos aprofundam os conhecimentos trocando informações com os colegas.

[MITO] A dedicação exigida é menor

Não há como estudar menos se o curso é bem planejado, rico em material básico e complementar, e se professores, tutores e estudantes participam de várias atividades para construir o conhecimento coletivamente. Numa pesquisa feita no ano passado com três universidades privadas de Santa Catarina, Santos constatou que os alunos a distância liam, em média, 3 mil páginas por ano só de conteúdo básico estruturado (sem contar o material complementar). O estudo feito por Dilvo Ristoff em 2006 também incluía um item sobre o tempo de estudo diário necessário para dar conta dos conteúdos propostos. A média ficou em mais de três horas por semana. Sem um professor ao lado diariamente para dar resposta a suas dúvidas na hora, como ocorre normalmente em uma aula presencial, os alunos precisam se dedicar à pesquisa. Consultar várias fontes é essencial para que eles possam seguir adiante em suas atividades até que o tutor retome com ele o conteúdo.

[VERDADE] Quem é disperso não se dá bem

Não tem jeito: quem é pouco comprometido ou necessita de alguém cobrando o tempo inteiro para que estude não pode fazer uma faculdade a distância. "É necessário ter um método de estudo e um compromisso com a própria aprendizagem", acredita Bentes, da UFPR. Pesquisa da Abed com 93 pessoas que evadiram apontou como principal motivo a dificuldade de controlar o próprio tempo e se dedicar aos estudos. "A Educação a distância requer leitura e interpretação de textos e ter concentração é básico para essas tarefas mesmo que o curso seja presencial", completa Bentes.

[MITO] Não é preciso sair de casa

Ir aos polos presenciais é necessário, uma informação que a maioria dos interessados na modalidade desconhece. Tanto que em graduação e pós-graduação o curso precisa ser semipresencial para que seja reconhecido pelo MEC. É claro que a presença não é exigida com frequência, mas são diversas as atividades que obrigam a sair da frente do computador. Avaliações, trabalhos em grupo, aulas em laboratório, busca de materiais de apoio e videoconferências via satélite são algumas delas. De acordo com o levantamento da Abed, cerca de 50% das instituições utilizam vídeos exibidos nos polos como material pedagógico. Além disso, mais de 90% dos cursos têm bibliotecas tradicionais, enquanto apenas 50% dispõem de acervo virtual. Dessa forma, muitas vezes se tem de buscar os livros para estudo - o que se torna uma dificuldade para quem está bem longe dos polos. É preciso lembrar que quem optou por Pedagogia e Licenciatura nas diversas disciplinas deve cumprir a mesma carga horária de estágio que os matriculados na modalidade presencial. "Eles precisam ir a uma escola da rede pública ou privada e desenvolver com a garotada da Educação Básica as atividades propostas pelo tutor", explica Alda Luiza Carlini, docente do Departamento de Tecnologia da Educação da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ainda segundo ela, os futuros professores têm a tarefa de registrar o andamento dos trabalhos realizados em sala e trocar com o responsável pela turma informações sobre o desenvolvimento de cada criança.

Estrutura e corpo docente

[VERDADE] As instituições investem mais em tecnologia do que em conteúdo

Em 2007, os gastos com aquisição de tecnologia, laboratórios, softwares e serviços de internet consumiram 71,8% dos investimentos das instituições. Em 2009, além do investimento em tecnologia, também houve destaque para gastos com estrutura física (aquisição de equipamentos e acervos para bibliotecas e bancos de dados). Fredric Litto, presidente da Abed e pesquisador do tema há mais de 40 anos, ressalta que só essa infraestrutura não faz uma Educação a distância de qualidade. "Igualmente importante é o investimento em conteúdo. Por isso, no momento de procurar uma faculdade a distância, não cabe se deslumbrar com inúmeros itens tecnológicos apresentados e achar que o curso é bom pela simples presença deles", alerta. Deve-se ficar de olho principalmente no material didático. As instituições picaretas costumam investir pouco, terceirizando essa produção, o que pode afetar de forma direta a qualidade.

[VERDADE] Os professores são menos qualificados

Se você se refere a quem acompanha a aprendizagem, sim, é verdade. Em EAD, esse profissional, chamado tutor, tem contato direto com os alunos e é o responsável por tirar as dúvidas e avaliar a participação deles nas tarefas. O grande problema é que a formação dos tutores exigida por lei é muito baixa. Eles devem apenas ser formados na área em que vão fazer a tutoria há, pelo menos, dois anos. "Um curso só será bom e atingirá seu objetivo (fazer com que todos aprendam), quando esses profissionais forem capacitados a assumir sua função", ressalta Alda Carlini. O professor especialista (sim, ele também existe em EAD) prepara os materiais didáticos, organiza as situações de aprendizagem, constrói as propostas de trabalho e orienta as intervenções dos tutores. A formação desse profissional, na boa EAD, não deixa a dever nada à das presenciais. "As normas do MEC são claras: os docentes responsáveis pelas disciplinas do presencial também devem ser responsáveis pela modalidade dele a distância", diz Alda. "Nas avaliações de qualidade do ministério, os critérios são os mesmos, como o grau de titulação dos profissionais", completa. Dados da Abed mostram que 40% das instituições contam com mestres e doutores formados especificamente em Educação a distância e mais de 50% têm especialistas na área, além de outras titulações acadêmicas.

[VERDADE] A turma de um curso a distância é maior do que a de um presencial

De fato. Uma turma de graduação presencial tem, em média, 80 integrantes, enquanto na Educação a distância esse número pode chegar a 180. Segundo a Abed, o docente de graduação e de pós-graduação a distância tem a média de 97 alunos sob sua responsabilidade, enquanto o tutor, 77. Segundo Alda, isso é um fato problemático. "Cada tutor deveria ser responsável por 25 estudantes para dar a atenção necessária e responder a tempo a todos."

Perspectivas para o formado

[MITO] Os alunos aprendem menos do que no curso presencial

Com os resultados do Enade de 2006, essa ideia caiu por terra. A Pedagogia foi um dos que apresentaram melhor desempenho na modalidade a distância do que na presencial. Ou seja, os alunos aprenderam. O que importa sempre, então, é verificar se o programa tem qualidade - do mesmo modo que se dá a escolha por uma faculdade presencial. É preciso verificar se professores e tutores são qualificados, se o material didático é rico e bem produzido, se a tecnologia é usada a favor da aprendizagem, se as respostas a dúvidas são rápidas e se existe uma estrutura presencial que seja condizente com a área em questão - incluindo laboratórios específicos para cada área e bibliotecas. José Armando Valente, pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reitera: "Se o curso é bom e o estudante é empenhado, organizado e proativo, não há como não aprender".

[VERDADE] É mais difícil conseguir emprego

Ainda há um grande preconceito em relação aos formados em EAD. Em parte, ele pode ser explicado pelo pouco tempo de existência dela na graduação. "O mercado não conhece os formados a distância e há um desconhecimento muito forte sobre a qualidade dos cursos", acredita Ymiracy de Souza Polak. A lei garante que nos certificados do Ensino Superior não venha especificado que a formação foi feita a distância, já que ambos têm o mesmo valor. Entretanto, numa entrevista de emprego, isso pode pesar na escolha. Até mesmo entidades oficiais declaram não concordar com a formação semipresencial. "Não achamos bom para a Educação que professores façam a primeira faculdade a distância. Para que a formação inicial tenha verdadeiramente qualidade e prepare o professor para a prática de sala de aula, ela precisa ser presencial", acredita Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e membro do Conselho Nacional de Educação. Segundo ela, o tema foi debatido nas etapas intermunicipal e estadual da Conferência Nacional de Educação, e essa foi a opinião da maioria dos integrantes. Um dado curioso: em alguns países da Europa, onde a EAD têm tradição e qualidade, além de serem constantemente avaliados pelo governo, os profissionais formados dentro dessa modalidade estão entre os mais disputados. Os motivos são simples. Eles se dedicam mais aos estudos, são autônomos, sabem se organizar melhor, resolvem problemas inesperados com mais agilidade e estão em busca de oportunidades para crescer.

Reportagem sugerida por 6 leitores: Adriane da Costa Bandeira, Joinville, SC, Andrea Rosa de Moraes Soares, Recanto das Emas, DF, Christiane de Castro, São Paulo, SP, Eliane Ricardo da Silva, Belo Horizonte, MG, Naligia Lopes, Assu, RN, e Rosana de M. Damasceno, Amália Rodrigues, BA

O Brasil merece uma educação melhor, mas quem irá educar os brasileiros?

Depois de ler a pesquisa da revista Veja de 20/08/08, fiquei refletindo sobre a educação que os brasileiros merecem não é aquela educação acadêmica, decoreba:
1 – Que obriga o aluno a decorar o ponto, escrever na prova, mesmo que esqueça tudo logo depois;
2 – Que o aluno ouve, ouve, ouve e repete, repete, repete o que o professor fala, fala, fala como se ele não tivesse opinião própria;
3 – Que o aluno fica sentado em silêncio, escutando, escutando e escutando (ou dormindo), porque sabe que não pode interromper quando o professor fala, fala e fala para dar tempo de acabar o programa;
4 - Que humilha o aluno nas avaliações valorizando os enganos, fazendo cair a autoestima de 40 alunos em cada sala de aula, (milhões no Brasil);
5 - Que faz o aluno odiar a escola e os professores, esperando ansiosamente pelas férias;
6 – Que oprime tanto que o aluno não sabe citar momentos de alegria na sala de aula;
7 – Que é formada por duas classes: a dominante (que sabe tudo) e a dominada (que não sabe nada). Qual será o futuro desse pobre aluno sem iniciativa, sem espírito de luta, de liderança, acovardado diante dos problemas da vida?
8 – Que o aluno é considerado inimigo, por isso tem que se submeter a tudo e a todos, em silêncio, sem reclamar, sem se defender, aprendendo a abaixar a cabeça e dizer “sim” SEMPRE;
9 – Que o aluno não tem de saber quais as finalidades, os objetivos daquela aula para a vida deles. Quem tem de saber tudo é o professor. O aluno só tem que decorar ponto.
10- Que o aluno adora quando o professor fica doente, assim não terá que ouvir, ouvir e ouvir o professor falando, falando, falando, dando ordens e oprimindo;
11 – Que faz o aluno odiar a escola, criando apelidos horrorosos para os professores (e vice-versa).
Talvez a educação criativa possa ajudar. Na Educação Criativa, o que acontece na sala de aula?
1 - O professor é aquele que dá a proposta de atividade criativa e a classe vira um formigueiro provocado pela motivação. Os alunos, em subgrupos, são colocados em situação-problema e buscam soluções criativas, dando ideias, ouvindo as sugestões dos colegas, concordando, discordando, acrescentando, pesquisando nos livros ou na memória de cada um.
Eles estão desenvolvendo a agilidade mental porque sabem que essa atividade tem apenas alguns minutos. Depois, cada subgrupo irá apresentar suas soluções de problemas criados pelo professor, conclusões criativas, fugindo da mesmice. Professor não é aquele que resolve problema de alunos, mas, sim, aquele que coloca os alunos em situações-problema para que aprendam a se virar na vida, criativamente.
2 – Qualquer pessoa acadêmica que entrar na classe irá ficar assustada com a “indisciplina”, mas esse é um novo conceito de disciplina. É a disciplina da Educação Criativa que põe o aluno em ação, aprendendo com a troca de experiências dos colegas, sabendo que a conversa tem que ser no “cochicho” para não importunar os outros que também estão pensando e discutindo outros problemas. É um novo conceito de disciplina que quer dizer ORDEM MENTAL e não “todos sentados em silêncio absoluto durante 50 minutos”, escutando, escutando e escutando ou dormindo.
3 – O conteúdo, que era apenas um pequeno apoio, começa a aumentar, aumentando também a curiosidade e o estímulo para buscar mais conhecimento; descobrindo a alegria de aprender mais sobre aquele assunto.
4 – Cada grupo se apresenta, na frente da classe, contando o que descobriu, suas dificuldades para resolver cada parte do problema criado pelo professor.
5 – Nesse momento, eles estão motivados para buscar novos conhecimentos para a próxima aula, promovendo o desbloqueio de três personagens que cada aluno tem dentro de si: o gigante (que pode tudo, mas está bloqueado), a criança (que quer ser feliz e viver plenamente, mas está bloqueada) e o filósofo (que gosta de aprender a pensar, sentir, agir, analisar, liderar, escolher, criar laços afetivos com todos, mas também está bloqueado). A autoconfiança, a autoestima e a segurança emocional estão aumentando em cada aula, em cada atividade criativa, porque a escola está trabalhando com seres humanos e não com robôs.
6 – Sem muito trabalho, o professor está terminando sua aula e deixando os alunos muito motivados para pesquisar e discutir qualquer conteúdo fazendo Projetos Criativos e apresentando, na próxima aula, para o professor e para os colegas que poderão ajudá-los, acrescentando sugestões e dando forças para que leiam e pesquisem mais.
7 – Por estarem motivados, os alunos querem falar sobre seus Projetos, sem medo de errar, de pensar, de fazer, de realizar o que está pretendendo, sem inibição e sem exibicionismo, defendendo sua opinião e respeitando o que o professor e os colegas têm a acrescentar, aprendendo a trabalhar individualmente e em grupo.
8 – O professor está levando os alunos a descobrir que é motivo de grande prazer saber pesquisar, ler e entender o que leu, saber que o texto é a opinião do autor e que ele pode concordar ou discordar porque tem sua própria opinião.
9 – Na atividade de situação-problema, o professor está despertando nos alunos a vontade de experimentar, fazer laboratórios, criar Projetos e interpretá-los para a classe, de forma humorística e com expressão corporal, desenvolvendo o espírito lúdico e a autoconfiança.
10 - Pela motivação, aprendem a maravilhar-se com o gigante que cada um tem dentro de si, mas também maravilhar-se com o nascer e o pôr do sol, o sorriso de uma criança, o apoio a um idoso, buscando valores humanos.
11- Na busca de soluções criativas para a situação-problema aprendem a fazer amigos, a mantê-los e a compartilhar suas emoções. Afinal, são seres humanos aprendendo a amar.
12 - Brincando com a imaginação e com o absurdo deixam transbordar a alegria própria da criança, do adolescente e do jovem.
13 - Cheios da alegria de estudar, de ler, de compreender, de aprender, de crescer, os alunos estão aprendendo e treinando o senso de responsabilidade, de compromisso, de solidariedade e de amor.
14 - Nessa atividade criativa, os alunos estão se exercitando para saber comentar um livro, um filme, desenvolvendo sua capacidade de análise crítica.
15 - Avaliando os colegas, e fazendo auto-avaliação os alunos admiram com alegria quando eles expressam riqueza de liberdade de pensamentos e sentimentos. Descobrem então que não há necessidade de tanta avaliação, porque cada um está dando o melhor de si, promovendo o seu crescimento sem comparação e sem competição, cada um com a sua individualidade.
Em Educação Criativa a avaliação é feita por aplausos de encorajamento para que os alunos aumentem sua autoconfiança, acreditem em si próprios e produzam cada vez mais, sempre felizes com a sua maneira de ser.
16 - Despertando a sabedoria e o potencial do gigante, da criança e do filósofo que estavam bloqueados dentro de cada aluno, o professor estará realmente fazendo educação. Vamos tentar entender e aprender a trabalhar com a geração internet, que merece uma educação melhor no Brasil? Com essa pesquisa mundial (revista Veja de 20/08/08) ficou provado que dar ponto para aluno decorar não é educação. Se não mudarmos a metodologia, as escolas se tornarão fábricas de produzir analfabetos.

Fonte: JORNAL VIRTUAL PROFISSĂO MESTRE
Profissăo Mestre – Ano 7 Nº 141 – 30/10/2009
Texto de Glorinha Aguiar,
especialista em Educação Criativa (na prática).
Contato: glorinhaaguiar@uol.com.br

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ATIVIDADES LÚDICAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA: A CRIANÇA EM FOCO

 

 

 matematica Crianças brincando de Adição com Pega-Varetas

Atualmente, há uma grande preocupação que o processo ensino e aprendizagem da disciplina não se efetive de maneira mecânica nem repetitiva, mas, ao contrário, que possibilite as crianças sentir entusiasmo em aprender Por Geise Cristina L. Ricardi*

Tomando como ponto de partida de que a matemática não se constitui em um conjunto de fatos a serem memorizados, que aprender a operar com números é muito mais abrangente que contar e reconhecê-los e, sobretudo, que os conhecimentos adquiridos por meio dessa disciplina, serão estruturantes para a vida cotidiana e toda a trajetória escolar das crianças, qualquer proposta de trabalho que envolva a matemática deve encorajar, conforme Smole (2003), uma grande variedade de ideias, não apenas numéricas, mas também aquelas relativas à geometria, às medidas e às noções de estatística, de modo que as crianças desenvolvam e conservem com prazer uma curiosidade acerca da disciplina, adquirindo diferentes formas de perceber a realidade. Logo, pensar desse modo significa acreditar que a compreensão requer tempo e exige um permanente processo de interpretação, pois assim a criança tem a oportunidade de estabelecer relações, solucionar problemas e fazer reflexões para desenvolver noções matemáticas cada vez mais complexas. A prática pedagógica que considera a construção do conhecimento da criança encontra nos jogos e brincadeiras aliados na construção da autonomia das mesmas. Os jogos de regras, por exemplo, contribuem com a aprendizagem matemática quando propõe um desafio à criança, ou seja, o "que fazer agora?" ou "de que meios disponho?". Por meio dos jogos e brincadeiras, a criança se depara com situações que precisa enfrentar com clareza, objetividade e consciência, sentindo uma necessidade lógica e biológica de organizar seu raciocínio. Portanto, utilizados na aula, eles passam a ser estratégias que agilizam a autorregulação cognitiva e também afetiva, podendo ser usados em diversas situações de aprendizagem. Muitos deles interessam às crianças no cotidiano, o que se constitui num rico contexto no qual ideias matemáticas vivenciadas são balizadas pelo planejamento, questionamento e interferência do professor. Consequentemente, devido à grande versatilidade aplicativa, os jogos de regras ainda possibilitam diferentes enfoques, favorecendo inúmeros desafios. Exemplo disso são os jogos numéricos, que permitem às crianças utilizar números e suas representações, ampliar a contagem, estabelecer correspondências, operar e pensar matematicamente. Por meio de materiais como dados, dominós, baralhos, trilhas numéricas, cubra-descubra e outros jogos, elas se familiarizam com números, com a contagem e com as operações matemáticas de forma natural. A maioria dos educadores reconhece que a importância da criança aprender, se divertindo, é muito antiga na história, já que surgiu com os gregos e romanos. Entre outros, Friedrich Froebel**, o primeiro pedagogo a incluir o jogo no sistema educativo defendia que "a personalidade da criança pode ser enriquecida e aperfeiçoada pelo brinquedo e que a principal função do professor é a de fornecer situações e materiais para o jogo". Ele também ressaltava a ideia de espontaneidade infantil, preconizando uma autoeducação da criança pelo jogo, graças as suas vantagens intelectuais e morais.

* Geise Cristina L. Ricardi é Graduada em Pedagogia pela Universidade Católica Dom Bosco/UCDB. Especialista em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS. Mestre em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco/UCDB. Professora do curso de Pedagogia, modalidade Interativa e Presencial da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal/UNIDERP. Coordenadora Pedagógica da Escola CNEC Oliva Enciso.

** Saiba sobre a história de Froebel na matéria publicada na revista Coleção Educativa Especial nº 06. Continue a ler este artigo na publicação Coleção Educativa Especial nº 06 e veja ainda "A Aprendizagem matemática por meio dos jogos".

Além disso, obtenha várias sugestões de jogos lúdicos para as crianças aprenderem brincando.

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Microsoft confirma vazamento de senhas do Hotmail na web

A empresa Microsoft, que opera o serviço de emails Hotmail, confirmou nesta segunda-feira que milhares de senhas para contas do serviço foram pirateadas e divulgadas na internet.

Segundo a empresa, uma lista com mais de dez mil contas e senhas foi publicada em um site. Os dados teriam sido coletados como parte de um esquema de phishing.

O phishing envolve o uso de páginas de internet falsas ou emails falsos de empresas conhecidas a fim de enganar os internautas para que eles revelem detalhes pessoais como números de contas bancárias ou senhas.

A notícia foi divulgada nesta segunda-feira pelo blog Neowin.net e depois confirmada pela Microsoft.

'Resposta rápida'

O blog Neowin alega que os detalhes foram colocados na página pastebin.com no dia 1º de outubro.

Apesar de os detalhes já terem sido removidos, o blog afirma que viu parte da lista.

"Podemos confirmar que as contas são verdadeiras e a maioria parece baseada na Europa", afirmou no blog Tom Warren, que escreve para o Neowin.

Warren acrescentou que a lista inclui detalhes de contas do Windows Live Hotmail, com endereços de email terminando com hotmail.com, msn.com e live.com.

O blog neowin recomendou que os usuários do Windows Live Hotmail mudassem sua senha imediatamente.

Fonte: BBC Brasil
Data: 06-10-09

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